A professora que é o xodó da Biblioteca do Grupo Altevita

“A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo.” A frase de Joseph Addison demonstra a importância do hábito de conhecer histórias eternizadas em páginas de um livro. Ler é um exercício mental que traz melhorias à memória, ao reflexo e à própria construção de ideias e pensamentos. Por isso, é essencial para quem quer manter a saúde cognitiva no decorrer dos anos, inclusive na terceira idade.

A professora que é o xodó da Biblioteca do Grupo Altevita

“A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo.” A frase de Joseph Addison demonstra a importância do hábito de conhecer histórias eternizadas em páginas de um livro. Ler é um exercício mental que traz melhorias à memória, ao reflexo e à própria construção de ideias e pensamentos. Por isso, é essencial para quem quer manter a saúde cognitiva no decorrer dos anos, inclusive na terceira idade.

A Universidade do Kentuchy, nos Estados Unidos, divulgou, em 2001, relatório de pesquisa realizada com 678 freiras avaliando se o hábito da leitura combate o mal de Alzheimer. Nos 15 anos do estudo, os dados mostram que a leitura sozinha não evita a doença, mas protege o sistema nervoso dos efeitos destrutivos por ela causados. Ou seja, o idoso pode estar com o quadro de Alzheimer, porém terá mais chances de permanecer lúcido. Assim, a presença da leitura na vida do idoso traz, além de momentos de prazer, mais saúde a essa população.

Exemplo disso é a vida de Maria Guilhermina Pinheiro Dias, a Magui, moradora do Espaço Longevità. Quem circula pelo lugar e conhece Magui, percebe a inteligência e o vocabulário rebuscado da nordestina, natural de São Luís no Maranhão. A leitura é uma das grandes paixões da vida dela, e foi uma das responsáveis por se tornar professora.

“Minha mãe foi uma professora muito famosa em São Luís e meu sonho era fazer um curso para ser professora da Escola Normal, que era um curso de magistério de professores. Na época, só tinha em Porto Alegre. Foi muito difícil conseguir essa vaga, mas eu conquistei. Lembro que eu chorava bastante no avião até chegar lá”, emociona-se ao relembrar.

Para conquistar o seu sonho de lecionar, Magui teve que ter mais do que paixão por literatura. Os anos que morou em Porto Alegre foram os mais difíceis para ela. “Passei um ano na casa de uma desconhecida, tendo que me ajustar à realidade da casa. Passei muita dificuldade mas conquistei”, lembra.

Formada, Magui conseguiu falar com o prefeito de sua cidade que, vendo o esforço dela, prometeu que iria conseguir uma vaga para ela ser professora da Escola Normal. “Ele disse que era para eu ver o jornal que sairia minha nomeação. Saiu em Brasília e eu não pensei duas vezes em ir”, afirma.

Um sonho em uma cidade inacabada

A professora chegou à capital federal 15 dias após o início da construção e, além da possibilidade de realizar seu sonho, encontrou muitas barreiras para viver bem no local. É que Brasília ainda estava em construção: a cidade começou a ser erguida em 1956 mas, em 1960, Juscelino Kubitchek inaugurou o local com muitas obras inacabadas, o que prejudicou a mobilidade de quem já residia na capital.

“Tudo era muito difícil. Quando eu vim, não sabia que não teria muita coisa e coisas básicas. Eu procurava uma loja de roupa e não tinha. Era bem difícil, mas Brasília cresceu bastante e pude realizar meu sonho aqui”, pontua.

Hoje, Magui continua a amar o conhecimento e as palavras. No tempo em que reside no Grupo Altevita, ela já leu todos os livros da biblioteca do espaço. Feliz, ela afirma que tem orgulho de sua história que ainda está longe de terminar.

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