Doação de órgãos e a continuação da vida 

Último levantamento do Ministério da Saúde mostra que há 1,7 mil brasileiros que se registram como doadores de órgãos, um aumento de 7% em relação à 2017. Mas o crescimento ainda é pequeno tendo em vista a grande fila de espera controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). 

Doação de órgãos e a continuação da vida 

Desde que a técnica de Joseph E. Murray de transplantar órgãos foi criada, em 1954, a doação de órgãos tem ajudado milhões de pessoas a continuarem suas vidas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, cerca de 50 mil pessoas esperam um órgão para substituir uma insuficiência, ter mais qualidade de vida ou até se livrar do risco de morte. Assim, pode-se dizer que o Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, é mais do que apenas uma campanha, mas sim um apelo pela vida. 

Último levantamento do Ministério da Saúde mostra que há 1,7 mil brasileiros que se registram como doadores de órgãos, um aumento de 7% em relação à 2017. Mas o crescimento ainda é pequeno tendo em vista a grande fila de espera controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). 

Especialistas apontam que o fator limitante para o aumento dos doadores é a falta de conhecimento dos tipos de doação e como o procedimento ocorrerá. Há dois tipos de doadores de órgãos: os vivos e aqueles que doarão após o falecimento. O primeiro caso é daquelas pessoas que podem doar partes do organismo que não prejudiquem a própria saúde, como um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. O doador falecido é aquele que sofreu morte encefálica, geralmente decorrente de traumatismo craniano ou derrame cerebral. 

Outro ponto limitador é o fato de que, após o falecimento do doador, os órgãos só poderão ser direcionados a outra pessoa se a família autorizar, mesmo se o paciente esteja registrado como doador. Por isso é importante que quem se interessa em ser doador deve conversar com a família e deixar claro sua posição. 

Mitos e verdades 

O senso comum tornou o procedimento de doação de órgãos algo complicado e obscuro, possibilitando lendas urbanas como médicos que não tentarão salvar a vida de quem é doador de órgãos. Veja abaixo outros mitos sobre o processo e conheça a verdade sobre eles! 

  • Os custos da doação dos órgãos deverão ser pagos pela família do doador

MITO – O doador e sua família não terão nenhum custo com a doação dos órgãos. Assim como também não terão nenhum ganho financeiro. A doação é um ato de amor e solidariedade com o próximo.

  • O corpo fica deformado após a doação de órgãos

MITO – Os órgãos doados são removidos cirurgicamente. Não há nenhuma desfiguração do corpo. O corpo pode ser velado ou cremado normalmente, não necessitando de nenhum preparo especial.

  • Pessoas que já tenham histórico de doença não podem ser doadores

MITO – Qualquer pessoa pode ser um potencial doador de órgãos. O que determina a possibilidade de transplante dos órgãos ou tecidos é a condição de saúde atual que se encontram. Na ocasião da morte, a equipe médica fará uma avaliação do seu histórico médico e de seus órgãos.

  • Idosos não podem doar seus órgãos por conta do avanço de idade

MITO – Como já mencionado na questão anterior, o que determina a possibilidade da doação dos órgãos e tecidos é a condição que estes se encontram. Hoje, muitos idosos de 60 anos podem apresentam melhor quadro de saúde do que pessoas de 30 a 40 anos. A avaliação dos órgãos será feita pela equipe médica e encaminhada para a central de transplantes.

  • Os órgãos podem ser vendidos após a morte do meu familiar

MITO – A venda e a compra de órgãos são proibidas por lei no Brasil. A Lei Federal 9.434/97 estabelece, entre outras coisas, que comprar ou vender tecidos, órgãos ou partes do corpo humano (artigo 15) é ação passível de pena de “reclusão, de três a oito anos, e multa, de 200 a 360 dias-multa”, conforme trecho da lei.

Após o consentimento da família, as Centrais de Transplantes das Secretarias Estaduais de Saúde fazem todo o controle do processo, da retirada dos órgãos até a indicação do receptor e o transporte aos locais onde será feito o transplante dos órgãos e/ou tecidos doados.

  • Se eu estiver internado, posso correr o risco de morrer para que ocorra a doação de órgãos.

MITO – Quando você procura um hospital por causa de uma doença ou em busca de um diagnóstico, a prioridade da equipe médica é salvar sua vida, independente da sua condição de saúde. A doação de órgãos só ocorrerá após a sua morte mediante consentimento familiar.

Seja um doador 

Não há restrições quanto aos possíveis doadores. No ato de doação, serão feitos exames para ver se há doenças infecciosas ativas e outros fatores que podem prejudicar o novo dono do órgão. 

Aqueles que querem doar órgãos após falecimento, a única forma de oficializar é conversando com a família e falar sobre o desejo. No Brasil, não há uma forma oficial de garantir a doação, a família tem a palavra final. 

Para ajudar a comunicar os parentes sobre seu desejo e também permitir que esse assunto saia do tabu, o Facebook disponibiliza uma ferramenta que permite que você se declare como doador de órgãos para sua família e rede de amigos. Saiba como ativar essa declaração aqui. Doe órgãos. Doe vida! 

Fontes: Fundação Pró-Rim, Ministério da Saúde e Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

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