Primeiros Sinais da Demência: O que fazer?


A demência mais comum e mais conhecida é a doença de alzheimer, em que a memória é necessariamente atingida. E como reconhecer os primeiros sinais e diferenciar de outros estados?

A demência mais comum e mais conhecida é a doença de alzheimer, em que a memória é necessariamente atingida. E como reconhecer os primeiros sinais e diferenciar de outros estados?

A nossa Média Paliativista, Carinne Vieira, irá ensinar você a reconhecer  com o foco na doença de Alzheimer.

Primeiramente, o que é demência? 

A Demência é um prejuízo adquirido e permanente da capacidade intelectual que afeta pelo menos três das cinco áreas da cognição: memória, linguagem, capacidade viso-espacial, emoção e personalidade. Essas alterações que são suficientes para interferir nos relacionamentos, trabalho e vida social.

A demência tem um início impreciso, geralmente não tem uma data de início. Algumas alterações vão surgindo até se dar conta que: “Esse não é o estado usual do meu pai” ou acontece algum incidente como “minha mãe se perdeu” ou “ Ela esqueceu a panela de arroz queimar”.

Geralmente esses fatos são vistos com um marco. Mas será que não haviam outros sinais anteriores a esse?

A família e os cuidadores precisam estar muito atentos. A pessoa geralmente não se percebe o esquecimento, a falta de algumas habilidades… alguns, quando se dão contam, tentam justificar ou  ficam tristes por aquilo estar acontecendo. É uma trajetória caracterizada justamente pelas perdas.

Primeiros sinais

Inicialmente o seu familiar pode ter dificuldade de adaptação a novas situações e confusão espacial. Não consegue fazer compras simples, mexer com dinheiro, começa a fazer umas combinações de roupas exóticas ou já não escolhe mais e com o tempo é difícil vestir-se sozinhos.

Pode começar a ficar desatento quanto a higiene, por vezes precisa de incentivo para tomar banho e depois já não dá conta de tomar banho sozinho. A incontinência, tanto da urina como das fezes também é um sinal.

A linguagem vai ficando mais pobre, é mais difícil para conversar, o vocabulário diminui…até realmente não falar mais nada, numa fase mais avançada. Assim como a interação com o meio vai se limitando,  esse idoso já não reage aos mesmo estímulos, já não sorri.

É como um bebê ao avesso, vai perdendo a capacidade motora e de locomoção. precisa de auxílio para caminhar, tende a ficar mais sentado ou deitado…até que a capacidade de sentar é perdida, depois a de segurar o pescoço, até que se torna completamente acamado.

O processo pode levar anos e anos até esse idoso ficar completamente dependente. 

na fase avançada, ocorrem prejuízos mais graves de linguagem, incontinência e dificuldades de alimentação.

O que fazer?

Uma coisa é certa,  a cada dia esse idoso vai precisar mais de atenção e cuidado, passa a depender cada vez mais do auxílio dos cuidadores para executar tarefas mais simples,

mas diante desse processo é importante não antecipar perdas.

“ah, eu estou vendo que ele está com dificuldade ou demorando a se vestir. vou lá ajudar” ou “vez ou outra perde xixi na roupa ou quando pede para ir ao banheiro tem que ir correndo porque se não acontece um acidente. então vamos colocar logo fraldas”, em vez de tentar uma rotina de ir ao banheiro em diversos horários programados. Ou “já não possui mais destreza e desenvoltura com talheres, as refeições se prolongam”, o tempo dele é diferente, não vai logo de cara colocando a comida na boca.

O que eles precisam é de incentivo e estímulo enquanto estão aptos para realizar aquelas tarefas. Irá chegar o tempo dessas outras medidas, mas, até lá, não antecipe. Transtorno do humor e distúrbio do comportamento são frequentes ao longo da evolução da demência e costumam causar sobrecarga para quem cuida quando não adequadamente tratados.

Os transtornos mais frequentes são apatia, depressão, agitação, agressividade e delírios. Apresentam curso flutuante, com períodos de franca exacerbação. O tratamento deve sempre começar pelas medidas não farmacológicas e estabelecer rotinas e um programa de exercícios contribui para reduzir a inquietação que possa aparecer.

A pessoa com demência deve ser integrada às atividades de onde estiver, evitando o isolamento e privação de estímulos. É importante ter elementos de orientação em lugares visíveis, como relógios, calendários e fotos. Nos casos em que essas medidas não são suficientes, é necessário usar medicamentos, sempre de forma criteriosa e individualizada,  começando com a menor dose possível e aumentando gradativamente até o efeito desejado.

 Os anticolinesterásicos podem ser utilizados, pois existe  benefício em relação aos transtornos de comportamento. além disso, podem induzir também modestos ganhos cognitivos ou funcionais quando utilizados na fase inicial ou moderada da doença de alzheimer. Podem ser considerados também o uso de antipsicóticos e antidepressivos.

Os idosos não querem ser tratados como bebês, eles precisam ter sua dignidade preservadas. 

Afinal, cada um teve sua história de vida, suas conquistas, fracasso, habilidades, é um pai, irmão, tio, avô…ele é o sujeito principal da sua biografia. É muito difícil acompanhar de perto, existe um desgaste muito grande das relações familiares, com alto risco de sobrecarga e estresse dos cuidadores. o custo físico e emocional sobre os membros da família e uma realidade. Assim como a tristeza é também comum, ao  acompanhar aquela pessoa que você conheceu se desconstruir lentamente…até o seu fim. E justamente o cuidado paliativo dá ênfase na vida que ainda pode ser vivida

O cuidado paliativo é uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares, que enfrentam doenças que ameacem a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Engloba problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. Por isso é fundamental a equipe multidisciplinar, com enfermeiro, terapia ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, assistente social, fonoaudiologia, para contemplar toda essa abordagem.

Melhorar a qualidade de vida, manter funcionalidade e maximizar o conforto são objetivos dos cuidados paliativos e devem ser considerados durante toda a trajetória da demência, com a devida proporcionalidade ao longo do avançar da doença. 

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