A nova terceira idade e os novos desafios

Antigamente (não tão antigamente assim), quando nossos pais ainda eram crianças, o mundo era completamente diferente em muitos aspectos: um exemplo disso é a terceira idade. Não havia internet para todos. Celular, rádio e televisão, nem todo mundo tinha também.[...]

Antigamente (não tão antigamente assim), quando nossos pais ainda eram crianças, o mundo era completamente diferente em muitos aspectos: um exemplo disso é a terceira idade. Não havia internet para todos. Celular, rádio e televisão, nem todo mundo tinha também. Possibilidades de saber como era o mundo fora da sua rua era um privilégio de poucos. A velhice se restringia a uma cadeira de balanço e encontros familiares.

         A educação era extremamente repressora em todos os aspectos, principalmente para as mulheres em termos sexuais, profissionais e realizações próprias. Havia uma rigidez em relação aos homens: existia uma enorme dificuldade de entrarem em contato com os sentimentos e emoções. Eles não podiam mostrar fraquezas, não podiam chorar, mostrar medos ou inseguranças.

         Atualmente, graças a muitas mudanças, a terceira idade está de “cara” nova. E essa cara não tem nada a ver com cadeiras de balanço, inércia, isolamento, cansaço da vida. E essa mudança tem até nome: envelhecimento ativo.

         Novas atitudes de vida, novas formas de se relacionar consigo e com as outras pessoas, estão revolucionando a forma como vivemos a chamada terceira idade. Mas junto com todos esse avanços e melhorias, vêm novos desafios pelos quais devemos estar preparados para enfrentar:

 

  • Preconceito.

 

Estereotipar as pessoas pela sua idade e duvidar da sua capacidade, excluindo-as do convívio social e da participação nas mais diversas atividades, é uma das terríveis formas de preconceito.

Associa-se o envelhecimento ao aumento de doenças graves, como cânceres e problemas cardíacos. A virilidade e a vida sexual ativa são vistas como tabu, muitos preferem nem falar sobre namoro na terceira idade.

Outro preconceito comum é a crença de que todo idoso está “caducando”. Antigamente não havia conhecimento suficiente, mas, atualmente, sabe-se que esquecimento e confusões mentais apresentadas por algumas pessoas idosas está relacionada ao Alzheimer ou outras patologias que também prejudicam o funcionamento normal do cerebro.

 

  • Inclusão digital.

 

A geração mais nova tem intimidade e atração pelos artefatos tecnológicos, assimila facilmente as mudanças pois já convive desde tenra idade, explorando os brinquedos eletrônicos e/ou brincando com o celular dos pais. Porém, a geração adulta e mais velha, de origem anterior à disseminação do universo digital e da internet, não consegue acolher e extrair tranquilamente os benefícios dessas evoluções na mesma presteza de assimilação dos jovens.

 

  • Idosos no Mercado de trabalho.

 

O preconceito é, com certeza, uma das maiores barreiras que os profissionais da terceira idade precisam enfrentar ao voltar ou permanecer no mercado de trabalho. A  melhor forma de vencer o preconceito é por meio de uma cultura organizacional que valorize o ser humano independente de sua idade.

Quando a empresa defende esta ideia e dissemina, dentro de fora de suas paredes estas premissas, e também conscientiza seus colaboradores desta importância, a presença de profissionais mais velhos passa a ser tratada de forma natural por todos.

Empresas como Pão de Açúcar, Extra, Assaí e Ponto Frio já se destacam há alguns anos por defenderem e aplicarem políticas organizacionais de valorização da mão de obra da terceira idade. Que estas possam servir de exemplo para as demais!

  1.     Sexualidade na terceira idade.

A sexualidade mudou e vem se transformando gradativamente, mas ainda é rodeada de mitos e preconceitos, especialmente quando se discute a sexualidade na terceira idade. A família e a sociedade, muitas vezes, contribuem para que os idosos vejam o próprio corpo e o sexo como manifestações inadequadas.

Alguns setores da sociedade impõe uma visão mitológica e preconceituosa de que os idosos não necessitam de sexo, por isso muitos deles renunciam o seu prazer para não serem oprimidos e acabam ingressando num processo de isolamento social, adoecimento físico e mental. Entretanto, o estado, a família e a sociedade tem o dever de garantir e respeitar os idosos no âmbito da sexualidade ou em qualquer outra área.

Diante desse contexto, a rede familiar, pública e privada precisa se preparar e se adaptar à essa nova realidade sexual, social, cultural e econômica dos idosos, que construíram verdades pessoais ao longo da vida com trabalho, sabedoria e maturidade, que devem ser compreendidas, respeitadas e garantidas como direitos inalienáveis.

             Um fator decisivo para melhorar a qualidade de vida dos idosos e ajudar a quebrar o preceito é saber ouvi-los. Diante de qualquer decisão que deva ser tomada, as vontades e opiniões do idoso devem ser incluídas e ele deve sempre dar a palavra final. É preciso que a sociedade saiba entender a história, a vida, as vontades e o quanto essa pessoa ainda tem a contribuir em sua convivência. Combater todos esses desafios e preconceitos é uma luta diária e que deve ser observada nos pequenos detalhes.

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